Enviado em

China Enfrenta Malásia em Novembro Após Recusar Copa da ASEAN

A Associação Chinesa de Futebol (CFA) confirmou amistosos contra Malásia e Bahrein em novembro, numa decisão que reacendeu a polêmica em torno da seleção. O detalhe que chamou atenção é justamente o adversário malaio: a mesma federação que a China evitou meses atrás, ao desistir de disputar a Copa da ASEAN da FIFA de 2026 sob a justificativa de que o torneio não ofereceria o nível competitivo necessário.

A retirada que gerou desconforto no Sudeste Asiático

No final de julho, a seleção chinesa surpreendeu ao anunciar sua saída da Copa da ASEAN da FIFA de 2026, decisão que provocou transtornos na organização do torneio. Segundo relatos da imprensa, a CFA temia que enfrentar seleções consideradas mais fracas prejudicasse a preparação do time para a Copa da Ásia de 2027, reduzindo o nível de exigência necessário para o amadurecimento do elenco. A explicação não foi bem recebida no Sudeste Asiático, região que viu na postura chinesa um sinal de desdém com o torneio e com os países participantes.

Sequência de derrotas expõe fragilidade da equipe

A estratégia de buscar adversários mais fortes, no entanto, não rendeu os resultados esperados. Entre o final de setembro e o início de outubro - justamente no período em que a Copa da ASEAN acontecia na Indonésia - a China disputou quatro amistosos em Chongqing. Depois de vencer as Maldivas por 3 a 0, a equipe comandada por Shao Jiayi enfrentou adversários de maior envergadura e sofreu três derrotas seguidas: 0 a 3 para a Nova Zelândia, 0 a 5 para a Palestina e 0 a 1 para o Tadjiquistão. O resultado mais pesado, diante dos palestinos, escancarou problemas estruturais da equipe e intensificou as críticas ao técnico e à própria CFA.

Mudança de rota: vitórias para recuperar a confiança

Diante do desgaste, a federação chinesa optou por recalibrar sua estratégia rumo à Copa da Ásia de 2027. Em vez de medir forças com seleções de ranking superior, a CFA agendou partidas contra Malásia (14ª posição na zona asiática do ranking da FIFA) e Bahrein (17ª), ambas abaixo da China na tabela. A leitura é clara: priorizar resultados positivos para reconstruir a confiança do grupo, mesmo que isso signifique abrir mão, por ora, do critério de dificuldade que havia motivado a saída do torneio da ASEAN. A ironia não passou despercebida - a Malásia é justamente uma seleção que a China poderia ter enfrentado na competição da qual desistiu.

Ranking FIFA e pressão sobre Shao Jiayi

Há ainda uma dimensão prática nessa mudança de postura. A posição da China no ranking da FIFA vem caindo de forma consistente, com risco real de a seleção deixar o top 100 mundial - um símbolo incômodo para um país que investe pesado no desenvolvimento do futebol nacional. Vencer em novembro, portanto, não é apenas uma questão de moral interna, mas também de blindagem no ranking. Shao Jiayi, publicamente pressionado após a sequência negativa, afirmou à imprensa chinesa que o processo de transição do elenco continuará e prometeu uma equipe mais competitiva nos próximos compromissos. Resta saber se os resultados de novembro serão suficientes para aliviar a pressão sobre o comandante antes do ciclo decisivo da Copa da Ásia de 2027.